Técnicas Cirúrgicas

Existem atualmente 5 técnicas conhecidas e reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina e Ministério da Saúde.

São elas:

Bypass Gástrico (Cirurgia de Fobi-Capela)

Banda Gástrica Ajustável

Gastrectomia Vertical

Derivação Biliopancreática ou Cirurgia de Scopinaro

Derivação Biliopancreática com Duodenal Switch

A cirurgia tem riscos?

Toda cirurgia pode apresentar riscos. Atualmente as publicações médicas referem um risco de morte desta operação entre 0,2 a 0,4 % ( 2 a 4 casos em mil cirurgias). Isto é equivalente a uma cirurgia de risco pequeno, porém presente.

Em questões práticas significa que dois em cada mil pacientes operados podem morrer.

Complicações também não são comuns, mas podem ocorrer em torno de 1% dos casos.

Com um trabalho conjunto da equipe cirúrgica, do anestesista, enfermagem e fisioterapia estes índices tornam-se ainda menores.

BYPASS GÁSTRICO OU CIRURGIA FOBI-CAPELLA

Bypass é uma palavra inglesa que significa desvio. E é exatamente isto que é feito nesta cirurgia. Um desvio de uma grande parte do estômago e uma pequena parte do intestino delgado.

Sem dúvida é a cirurgia mais realizada no mundo. Só nos Estados Unidos são realizadas mais de 200 mil cirurgias por ano. No Brasil, são estimadas a realização de aproximadamente 100 mil cirurgias bariátricas por ano.

Ela consiste em uma redução do estômago através de grampeamento. O estômago é dividido em duas partes: uma menor que será por onde o alimento irá transitar e outra maior que ficará isolada. Este pequeno estômago é então ligado ao intestino para que o alimento possa seguir seu curso natural. 

Todas as secreções do estômago separado serão levadas através do intestino a uma nova costura feita adiante no intestino que é costurado no “estômago pequeno”.

A vantagem desta cirurgia é que ela é totalmente reversível.

O fato de o estômago ficar menor não quer dizer que você irá passar fome. O pouco que ingerir irá dar saciedade.

Atualmente sabemos que existe um hormônio responsável pelo nosso apetite chamado grelina. Este hormônio é produzido em todos os segmentos do trato digestivo, mas é produzido em maior quantidade na parte do estômago que irá ficar isolada depois desta cirurgia, gerando uma inapetência no período pós-operatório.

É muito comum depois desta operação os pacientes perderem totalmente o apetite. Com o tempo o apetite volta devido ao aumento de produção deste hormônio pelo intestino. É muito importante não confundir apetite com “vontade de comer”.

A perda média de peso nesta cirurgia é de 35 a 40% do peso inicial.

BANDA GÁSTRICA AJUSTÁVEL

Consiste na colocação de um anel de silicone com uma pequena câmara pneumática interna ao redor do estômago em sua porção inicial.

Esta câmara comunica-se através de um tubo a um pequeno dispositivo que é implantado embaixo da pele do paciente. Através dele é possível insuflar a câmara pneumática que se encontra na banda, restringindo ou “liberando” mais o fluxo dos alimentos através dela. Foi um procedimento muito realizado no final da década de 90.

Atualmente, poucos grupos no Brasil ainda realizam este procedimento.

Por ser um procedimento puramente restritivo, a comunidade cirúrgica bariátrica hoje em dia dá preferência a gastrectomia vertical ou sleeve. 

A perda média de peso é de 20 a 25% e as taxas de reganho de peso são muito elevadas principalmente nas mulheres.

GASTRECTOMIA VERTICAL OU SLEEVE

Consiste em uma ressecção (retirada) de dois terços do estômago em seu eixo vertical transformando-o em um tubo afilado.

Esta cirurgia se baseia em dois princípios: o da restrição do volume alimentar ingerido e o da retirada de uma área do estômago onde é produzido um hormônio chamado grelina5. Este hormônio é responsável por gerar a sensação de fome. Outras partes do intestino delgado também produzem este hormônio e ainda não se conhece totalmente suas ações.

A grande vantagem desta cirurgia é que pacientes submetidos a ela necessitam de pouca ou, em alguns casos, nenhuma suplementação vitamínica.

É bem indicada em pacientes com anemias crônicas, osteoporose7 grave ou ainda em condições clínicas que necessitem a primeira porção do intestino para absorção de medicamentos. Também está indicada em pacientes que estejam dispostos a não perder tanto peso. 

É uma cirurgia que está ganhando bastante popularidade no mundo, alcançando o número de bypass gástrico realizado (atualmente a cirurgia mais feita). Existem vários motivos para explicar este fenômeno. Entre eles está o fato de não mexer no intestino e não causar problemas nutricionais. 

A perda média de peso é de 25 a 30% do peso inicial.

DUODENAL SWITCH – Derivação Biliopancreática

Como esta cirurgia é considerada uma evolução da derivação biliopancreática pura ou Cirurgia de Scopinaro, vamos nos ater a explicar este procedimento.

Consiste em uma ressecção (retirada) de dois terços do estômago em seu eixo vertical transformando-o em um tubo afilado (semelhante ao Sleeve), seguida de um desvio intestinal ampliado, deixando uma área aproximada de um terço da área total de absorção de nutrientes.

Por ser uma cirurgia mais invasiva, ela é bem indicada em pacientes que precisam perder muito peso. Pacientes do sexo masculino se sentem à vontade com este procedimento porque exige que se alimentem de um considerável volume de proteína diário, principalmente através do consumo de carne.

Esta cirurgia também tem sido considerada como a que apresenta melhor resposta no tratamento do diabetes (em torno de 95% de remissão da doença). Por isso é indicada em pacientes obesos diabéticos. Em pacientes diabéticos com menos peso ela pode ser realizada, porém o desvio intestinal realizado deve ser menor. 

Perde-se em torno de 40 a 45% do peso inicial e portanto, deve ser indicada em um grupo especial de pacientes para não correr o risco de levar o paciente à desnutrição que pode ocorrer em torno de 2% a 4% dos pacientes.

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