Nutricionista

O nutricionista é o responsável por todo o acompanhamento alimentar do paciente. O profissional vai ajudar o paciente a, além de se alimentar corretamente antes e depois da cirurgia, passar por todo o processo de reeducação alimentar para aprender e aplicar em sua vida. A reeducação alimentar é um dos principais fatores que vão garantir ao paciente a chegada ao peso ideal e aos níveis de saúde ideais. 

As nutricionistas que compõe a equipe multidisciplinar da Suzanclin estão abaixo:

Gabriela Cunha
Larissa Santos
Soraia Moussa

O protocolo das nutricionistas é longo, ele começa antes do procedimento cirurgico e vai se extender por mais de um ano. O mesmo está descrito a seguir: 

ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL PRÉ-OPERATÓRIO

A avaliação pré-operatória dos pacientes candidatos à cirurgia bariátrica deverá ser realizada por equipe multidisciplinar com o objetivo de informar sobre os riscos, benefícios e opções de técnicas cirúrgicas disponíveis.

A conduta nutricional no pré-operatório divide-se em 3 etapas:

* Avaliação antropométrica – na qual será avaliada a compleição física através de peso, altura, circunferências e por vezes: bioimpedância elétrica, dobras cutâneas e calorimetria;

* Avaliação bioquímica – a partir de exames laboratoriais (de sangue) e exame de imagem: ultrassonografia de abdômen;

* Avaliação Dietética – anamnese alimentar, questionário de frequência alimentar, recordatório 24h. Avaliando a ingestão das principais vitaminas e minerais, bem como, o consumo de alimentos proteicos ou hipercalóricos (excesso de gordura e açúcar) e também ingestão de bebidas alcoólicas.

A partir dessas avaliações é possível estabelecer o diagnóstico nutricional, identificar e tratar deficiências, minimizar risco cirúrgico mediante implementação do programa de reeducação alimentar para  redução de peso e para controle de algumas comorbidades e por fim, emitir o parecer nutricional.

Na maioria dos casos, é bastante prudente iniciar uma dieta hipocalórica e de baixa carga glicêmica (baixa em calorias, em carboidratos refinados e em açúcares, bem como rica em fibras) e hiperprotéica (rica em proteínas) antes da cirurgia. Uma dieta hipocalórica por um mês antes da cirurgia diminui o tamanho do fígado, reduzindo a gordura intra-hepática (gordura do fígado) e visceral (presente no interior do abdômen), o que facilita o procedimento cirúrgico por videolaparoscopia, diminui o tempo cirúrgico e consequentemente o risco de complicações no intra (durante) e no pós-operatório.

Cuidados de nutrição ideais envolvem um cronograma contínuo desde o pré-operatório até o período pós-operatório. A maior ênfase na preparação pré-operatória de cirurgia bariátrica e metabólica é otimizar o estado de saúde reduzindo assim risco de infecção, complicações e tempo de internação.

ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL PÓS-OPERATÓRIO

Planejamento alimentar após a cirurgia bariátrica:

Como a capacidade gástrica está reduzida as dietas hipocalóricas são uma rotina. Porém estas dietas, se utilizadas por um tempo prolongado e sem acompanhamento podem causar deficiências nutricionais. O planejamento alimentar pós cirurgia foi dividido em 5 etapas, sendo elas a fase líquida, líquida modificada, pastosa, branda e geral.

1º fase – DIETA LÍQUIDA:

Esta fase caracteriza-se como uma fase de adaptação. A alimentação é liquida e constituída de pequenos volumes, pobre em cafeína e em açúcar refinado e tem como principal objetivo o repouso gástrico, a adaptação aos pequenos volumes e a hidratação. Como consequência da alimentação liquida, a perda de peso chega a ser de 10% em média nos primeiros trinta dias, devido a isso, deve ser introduzido o uso de complementos nutricionais específicos para evitar carências de vitaminas e de minerais (iniciados nos primeiros dias da dieta líquida).

A intolerância ou sensibilidade à lactose pode atingir alguns pacientes podendo gerar distensão abdominal, náuseas, vômitos e diarréia. Nestes casos a lactose será excluída da dieta líquida.

2ª fase – DIETA LIQUIDA MODIFICADA

A segunda fase da dieta é uma transição entre a dieta líquida e a pastosa, nesse momento o fator mais importante é que ela respeite o período de cicatrização e de repouso do estômago. A dieta líquida modificada, devido a sua consistência, não exige mastigação e facilita a digestão do paciente. 

Nesse período o paciente vai ingerir principalmente papa de frutas e sopas de legumes batidas.

3ª fase – DIETA PASTOSA 

Nesta fase ocorre a inclusão de alimentos na consistência de cremes e purês. O objetivo principal é manter o repouso gástrico e iniciar a transição para dieta branda, onde mastigação exaustiva deverá ocorrer. O consumo de líquidos deve ser sempre estimulado nos intervalos das refeições (em pequenos volumes). 

O paciente deve começar sua refeição pela fonte de proteína, bem como identificar possíveis intolerâncias alimentares, na medida que os diferentes alimentos são incluídos na dieta.

4º fase – DIETA BRANDA (alimentos bem cozidos)

Após a dieta pastosa, evolui-se para uma fase com alimentos bem cozidos, que demandam muita mastigação. Inicia-se uma etapa onde a seleção dos alimentos é de fundamental importância pois, considerando que as quantidades ingeridas diariamente continuam muito pequenas, deve-se dar preferência aos alimentos mais nutritivos escolhendo fontes diárias de proteínas e ferro. O paciente receberá um treinamento para reconhecer quais são os alimentos mais ricos nestes nutrientes de forma a ficar mais independente para escolher as principais fontes de minerais e vitaminas encontradas nas suas refeições diárias. Como a alimentação passa a ser mais consistente deve-se mastigar exaustivamente.

5º fase – DIETA GERAL (consistência normal)

Nesta fase a alimentação evolui gradativamente para uma consistência ideal para uma nutrição satisfatória. O cuidado com a escolha dos alimentos nutritivos deve continuar, pois, as quantidades ingeridas diariamente continuam pequenas. Nesta fase o paciente pode ser capaz de selecionar os alimentos que lhe tragam mais conforto, satisfação e qualidade nutricional. 

A evolução nutricional deve ser lenta e progressiva, dependendo da tolerância individual podendo variar bastante de um paciente para outro. Normalmente os pacientes mais ansiosos, que não reaprenderam o processo de mastigação lenta, tendem a sentir desconforto e até vômitos dependendo do tipo de alimento utilizado. Estes demoram mais para evoluir para as consistências desejadas e consequentemente o valor proteico e calórico, e necessitam de mais atenção da equipe multiprofissional. O reaprendizado da mastigação e deglutição lentas são fatores determinantes para uma boa digestão, em especial no paciente bariátrico.

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